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quarta-feira, 1 de junho de 2022

Indiferença

Indiferença social.
Indiferentes aos efeitos do capitalismo.
Indiferentes aos efeitos do consumismo.
Indiferentes ao trabalho precário.


"A Esquerda Deixou de Ser Esquerda

A direita nunca deixou de ser direita,
mas a esquerda deixou de ser esquerda.
A explicação pode parecer simplista, mas é a única
que contempla todos os aspectos da questão.
Para serem participantes mais ou menos tolerados
nos jogos do poder, os partidos de esquerda
correram todos para o centro, onde, infalivelmente,
se encontraram com uma direita política e económica
já instalada que não tinha necessidade de se
camuflar de centro.
Entrou-se, então, na farsa carnavalesca de
denominações caricaturais com as de
centro-esquerda ou centro-direita.
Assim está Portugal, a Itália, a Europa."


José Saramago, texto retirado de "La Republica, 2007"

"Em Bogra, Rajshahi, no Bangladesh, mulheres colhem e escolhem pimentos vermelhos e secam-nos ao sol. A fotografa MD Tanveer Hassan Rohan escreve, "Há cerca de 100 fábricas e mais de 2000 trabalhadores todos os dias. Recebem 2 dólares americanos depois de 10 horas de trabalho, e em alguns sítios recebem menos que isto. Trabalham muito para manter a melhor qualidade."




Imagem retirada da Internet.
Fonte:
FOTOGRAFIA DE MD TANVEER HASSAN ROHAN, NATIONAL GEOGRAPHIC YOUR SHOT

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Indiferença

Indiferentes às regras.
Indiferentes às problemáticas causadas pelas regras.
Indiferentes à constituição de uma liberdade pessoal.
Indiferentes a um estado de segurança.

Durante a hora de ponta, a ponte que dá acesso a uma capital é invadida por uma enchente de motorizadas, num período crítico da pandemia, em que os números na generalidade dos países aumentavam exponencialmente. No entanto, as regras severas deste país conseguiu combater o aumento de casos.
Onde fica?



"Não se Pode Viver Assim!

Temos na natureza muitas coisas contra
as quais lutar, mas há um inimigo pior
que todos os furacões e terramotos,
o próprio ser humano.
A natureza com todos os seus vulcões,
terramotos, furacões e inundações
não causou tantos mortos como a
humanidade causou a si própria.
Lutas de toda a ordem: guerras religiosas,
guerras de interesses materiais,
uerras absolutamente absurdas e estúpidas,
como as dinásticas.
Não há um raio de luz
– para pôr a questão assim
– que dê na cabeça das pessoas e as faça
perceber que não se pode viver assim!"


José Saramago, Texto - A Capital (4 Novembro 1995)

Imagem retirada da Internet.
Fonte:
https://www.nationalgeographic.com/culture/article/the-resilience-of-the-human-spirit-captured-in-29-stunning-images
PHOTOGRAPH BY LAM YIK FEI

Mais publicações sobre este tema:
https://entrepreambulos.blogspot.com/search/label/Indiferen%C3%A7a

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Laos (175)

ສາທາລະນະລັດ ປະຊາທິປະໄຕ ປະຊາຊົນລາວ
República Democrática Popular do Laos 


ແມ່ນ້ຳຂອງ
Rio Mekong
ຫລວງພະບາງ/ຫຼວງພະບາງ
Luang Prabang

No exterior, o templo destaca-se pela sucessão de telhados, sobrepostos, seguindo razões numéricas que auferem proteção e prestígio ao edificado.

"Podemos navegar no
mar do passado próximo
graças à memória
pessoal que conservou
a lembrança das suas
rotas, mas para navegar
no mar do passado
remoto teremos de
usar as memórias que
o tempo acumulou, as
memórias de um espaço
continuamente
transformado, tão fugidio
como o próprio tempo."

José Saramago

sábado, 19 de fevereiro de 2022

Adivinha - Cais

"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse:
“Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.
"
José Saramago

Um lugar de partidas e regressos, encontros e desencontros… 
Onde fica?




sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Laos (170)

ສາທາລະນະລັດ ປະຊາທິປະໄຕ ປະຊາຊົນລາວ
República Democrática Popular do Laos 



ແມ່ນ້ຳຂອງ
Rio Mekong
ຫລວງພະບາງ/ຫຼວງພະບາງ
Luang Prabang
ວັດຊຽງທອງ
Templo Wat Xieng Thong

Entre as árvores densas e exóticas, stupas, igualmente exóticas, decoradas ricamente, com ornamentos doirados.

“Como já deveríamos saber, a representação mais exacta, mais precisa, da alma humana é o labirinto. Com ela tudo é possível.”
José Saramago; A Viagem do Elefante

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Laos (169)

ສາທາລະນະລັດ ປະຊາທິປະໄຕ ປະຊາຊົນລາວ
República Democrática Popular do Laos 


ແມ່ນ້ຳຂອງ
Rio Mekong
ຫລວງພະບາງ/ຫຼວງພະບາງ
Luang Prabang
ວັດຊຽງທອງ
Templo Wat Xieng Thong

Os elefantes azuis no meio de multidões coloridas, passeiam como uma procissão sobre um fundo avermelhado.

“[...] a prova é que quando as coisas boas não sucedem por si mesmas na realidade, a livre imaginação dá uma ajuda á composição equilibrada do quadro.”
José Saramago; A Viagem do Elefante

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Laos (114)

ສາທາລະນະລັດ ປະຊາທິປະໄຕ ປະຊາຊົນລາວ
República Democrática Popular do Laos  


ແມ່ນ້ຳຂອງ
Rio Mekong
ປາກແບ່ງ
Pak Beng

Um esconderijo ali, além, não tarda irei descobri-lo; no coração da montanha.
“As palavras são assim, disfarçam muito, vão-se juntando umas com as outras, parece que não sabem aonde querem ir.”
José Saramago

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Adivinha - Sol


"Mas tens a certeza de que ela existe, Tanta como de ser tenebroso o mar, Neste momento, visto daqui, com aquela água cor de jade e o céu como um incêndio, de tenebroso não lhe encontro nada, […] O incêndio do céu ia esmorecendo, a água arroxeou-se de repente, agora nem a mulher da limpeza duvidaria de que o mar é mesmo tenebroso, pelo menos a certas horas." páginas 27-28
O Conto da Ilha Desconhecida; José Saramago

Onde fica?

domingo, 31 de janeiro de 2021

Último - Bilhete de Identidade

...as velhas fotografias enganam muito, dão-nos a ilusão de que estamos vivos nelas, e não é certo, a pessoa para quem estamos a olhar já não existe, e ela, se pudesse ver-nos, não se reconheceria em nós, Quem será este que está a olhar para mim com cara de pena, diria.”*

O primeiro bilhete de identidade, o primeiro presidente da república portuguesa. 
Em 1914, o bilhete de identidade, surgiu inicialmente para registar os cidadãos portugueses que tivessem um cargo público, sendo que um dos primeiros a ser emitido, segundo algumas leituras seria o do primeiro presidente da república em Portugal, Manuel Arriaga.
 

“...as velhas fotografias enganam muito, dão-nos a ilusão de que estamos vivos nelas, e não é certo, a pessoa para quem estamos a olhar já não existe, e ela, se pudesse ver-nos, não se reconheceria em nós, Quem será este que está a olhar para mim com cara de pena, diria.”*

*Lembro-me inevitavelmente do livro - Todos os Nomes de José Saramago

[Assinatura do identificador a 2 de Janeiro de 1914]

Imagem retirada da Internet.
Fonte:
http://ww3.aeje.pt/avcultur/secjeste/recortes/Historia/Imagens/BI01.jpg

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Último - Na utopia da paz


Um último que nos leva a à capa da revista Harper's Weekly de cariz politico, emitida a 3 de Janeiro de 1863 com uma caricatura de Thomas Nast, com uma das primeiras representações do Pai Natal.

"During Christmas in 1862 Nast first drew Santa Claus but the drawings first appeared on the cover of the January 3, 1863, issue of Harper’s Weekly, and shows Santa Claus visiting a Civil War Camp. [..]
In the past Santa Claus was presented in various ways but Nast conceived and introduced our modern image of Santa Claus. For the next 30 years Nast continued to draw Santa changing the color of his coat from tan to the red he’s known for today. His image of Santa Claus was the inspiration for the Coca Cola company’s modern Santa Claus." *


Mais de um século depois um texto de Jorge de Sena sobre o Natal, que data de 1971.

"Natal de quê? De quem?
Daqueles que o não têm?
Dos que não são cristãos?...
Ou de quem traz às costas
as cinzas de milhões?
Natal de paz agora
nesta terra de sangue?
Natal de liberdade
num mundo de oprimidos?
Natal de uma justiça
roubada sempre a todos?
Natal de ser-se igual
em ser-se concebido,
em de um ventre nascer-se,
em por de amor sofrer-se,
em de morte morrer-se,
e de ser-se esquecido?
Natal de caridade,
quando a fome ainda mata?
Natal de qual esperança
num mundo todo bombas?
Natal de honesta fé,
com gente que é traição,
vil ódio, mesquinhez,
e até Natal de amor?
Natal de quê? De quem?
Daqueles que o não têm,
ou dos que olhando ao longe
sonham de humana vida
um mundo que não há?
Ou dos que se torturam
e torturados são
na crença de que os homens
devem estender-se a mão?"

Jorge de Sena

P.S. Qual seria o texto que acompanhava a ilustração? 

Imagem retirada da Internet.
Fonte:
https://www.thevintagenews.com/2016/12/09/thomas-nast-the-man-who-invented-santa-claus/

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Adormecer do Sol


O sol põe-se e sorrimos... 
"O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contracções musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso."

José Saramago

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Vietname (317)

Việt Nam

O sentimento de patriotismo tão patente que nomeia uma importante cidade com o nome do seu soberano, num orgulho modesto que nos confunde.
"Độc Lập, Tự Do, Hạnh Phúc "
"Independência, liberdade, felicidade."


Lai Châu 
Refletimos, observamos, lemos, contemplamos, por entre as sombras dos arvoredos que crescem pelo território rebeldes à vontade do homem que cultiva com uma regra quase geométrica.
O caos é uma ordem por decifrar.”
José Saramago

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Noite de Natal



Janelas de luz que contrastam com a noite fria, assim nos lembramos do Natal pela Europa; pelas aldeias remotas, perdidas nas montanhas cobertas de neve. A lareira dá origem à noção de lar, de conforto, de família… vivemos.

[…]Família gira em redor da mesa, arruma-se nas poucas cadeiras que há, trazidas algumas de outras casas, uns quantos escabelos pouco firmes, um caixote velho posto em pé. Os rostos estão sorridentes e corados, e têm nomes e apelidos, mas, para a Criança, são, antes de tudo, os Pais, os Avós, os Tios, os Primos, um enorme e complicado corpo de animal que lhe lembra a história da Bicha-de-Sete-Cabeças ou o Dragão-Que-Não-Dorme. Sobre a mesa trava-se uma gesticulação ruidosa de facas e garfos, de mãos, de dentes, uma contínua mastigação que deforma os rostos e engordura as bocas. Contam-se casos, anedotas, todos riem. O frio está lá fora, e a geada, e a noite impenetrável. A Criança anima-se [...]

Conto de Natal de José Saramago; História de um muro branco e de uma neve preta.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Vietname (24)

Việt Nam

O sentimento de patriotismo tão patente que nomeia uma importante cidade com o nome do seu soberano, num orgulho modesto que nos confunde.
"Độc Lập, Tự Do, Hạnh Phúc "
"Independência, liberdade, felicidade."

Pleiku


Momentos do quotidiano, aparentemente simples, mas que tanto podem contar…

"Todos os dias têm a sua história, um só minuto levaria anos a contar, o mínimo gesto, o destaque miudinho de uma palavra, duma silaba, dum som, para já não falar dos pensamentos, que é coisa de muito estofo, pensar no que se pensa, ou pensou, ou está pensando, e que o pensamento é esse que pensa o outro pensamento, não acabaríamos nunca mais."
José Saramago; Levantado do Chão; p. 59.

segunda-feira, 11 de março de 2019

Vietname (22)

Việt Nam

O sentimento de patriotismo tão patente que nomeia uma importante cidade com o nome do seu soberano, num orgulho modesto que nos confunde.
"Độc Lập, Tự Do, Hạnh Phúc "
"Independência, liberdade, felicidade."

Buôn Ma Thuột
A capital do café.


Hevea brasiliensis
Uma floresta humanizada cujas árvores sofrem pequenos cortes que as fazem sangrar… e ao passear pelas "ruas" definidas pelos ramos lembrei-me da seguinte citação:
"... duas altas filas de sobreiros de tronco esfolado, mostrando a madeira dum vermelho-escuro com sangue-seco,..."
José Saramago; Terra do Pecado, p.233

sábado, 10 de novembro de 2018

Adivinha - Caminhos

“O homem primeiro tropeça, depois anda, depois corre, um dia voará.”
 […] que seria de nós se não sonhássemos.”
 […] Podemos fugir de tudo, não de nós próprios.”

José Saramago, Memorial do Convento [Baltasar and Blimunda].


Vagueamos entre sonhos, na busca de um caminho que se desenha na realidade…
Onde fica?