Mostrar mensagens com a etiqueta Citação S.M.B.. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Citação S.M.B.. Mostrar todas as mensagens

domingo, 20 de fevereiro de 2022

Algures

 Algures uma cúpula com estrelas perfuradas, onde a luz emerge aludindo a uma noite estrelada.

"Ó noite, flor acesa, quem te colhe? Sou eu que em ti me deixo anoitecer, Ou o gesto preciso que te escolhe Na flor dum outro ser?"

Sophia de Mello Breyner



Fonte:

https://www.pinterest.pt/pin/991566042929655637/

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Adormecer do Sol

 Algures no mar sem fim que envolve esta ilha, o sol deita-se, evocando a noite, que não tarda virá... 

"Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.
Sophia de Mello Breyner Andresen



quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Indiferença


"Descending into an icy tunnel 17,000 feet up in the Peruvian Andes, the 44-year-old miner stuffs a wad of coca leaves into his mouth to brace himself for the inevitable hunger and fatigue. For 30 days each month Apaza toils, without pay, deep inside this mine dug down under a glacier above the world's highest town, La Rinconada. For 30 days he faces the dangers that have killed many of his fellow miners—explosives, toxic gases, tunnel collapses—to extract the gold that the world demands. Apaza does all this, without pay, so that he can make it to today, the 31st day, when he and his fellow miners are given a single shift, four hours or maybe a little more, to haul out and keep as much rock as their weary shoulders can bear. Under the ancient lottery system that still prevails in the high Andes, known as the cachorreo, this is what passes for a paycheck: a sack of rocks that may contain a small fortune in gold or, far more often, very little at all."
in: https://www.nationalgeographic.com/magazine/article/gold


Indiferença pelo valor do trabalho.
Indiferentes ao trabalho escravo.
Indiferentes ao valor obscuro do ouro.

"Manpower at an improvised mine in Ghana includes a 13-year-old boy put to work sluicing for gold. Large mining firms control just 4 percent of Ghana's territory, but a landgrab by those firms evicted thousands of villagers from their homes, forcing many to survive by poaching gold. Illegal mining produces 25 percent of the world's gold."



"
[…]
O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa

Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra

«Ganharás o pão com o suor do teu rosto»
Assim nos foi imposto
E não:
«Com o suor dos outros ganharás o pão»
[…]"

excerto do poema de Sophia de Mello Breyner, As Pessoas Sensíveis.




Imagem retirada da Internet.
https://www.nationalgeographic.com/magazine/article/gold

sábado, 13 de novembro de 2021

Adivinha - Mar



"Assim o amor
Espantado meu olhar com teus cabelos
Espantado meu olhar com teus cavalos
E grandes praias fluidas avenidas
Tardes que oscilam demoradas
E um confuso rumor de obscuras vidas
E o tempo sentado no limiar dos campos
Com seu fuso sua faca e seus novelos

Em vão busquei eterna luz precisa
"
Sophia de Mello Breyner.

As ruínas de um refúgio vigilante sobre o mar.

Onde fica?

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Adormecer do Sol


O sol desapareceu no horizonte definido por jardins desconhecidos, que construímos com a nossa imaginação… não tarda virá o luar para os sonhos crescerem… 

"Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.

Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.

Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.
"

Sophia de Mello Breyner

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Laos (16)

ສາທາລະນະລັດ ປະຊາທິປະໄຕ ປະຊາຊົນລາວ
República Democrática Popular do Laos



ແມ່ນ້ຳຂອງ
Rio Mekong

Uma piroga, uma casa, uma praia deserta, um sonho repleto de humildade que traduz as vivências da família que aqui vive. Uma floresta sem fim, que mergulha no rio as suas raízes, sustentando as monhas e montes; assim como a vida é sustentada pela floresta.

E nunca
um navio da costa se afastou
sem me levar
Sophia de Mello Breyner

sábado, 17 de abril de 2021

Adivinha - Sol


Há jardins imprevistos, mais subtis e complexos do que é imaginável, onde crescem altas magnólias, com grande flores brancas de pétalas profundas e largas, macias e espessas e onde a água de prata que irrompe da boca dos golfinhos de pedra cai nos pequenos tanques oitavados. […] Jardins onde reconhecemos que a vida é um sonho do qual jamais acordamos, um sonho onde irrompem aparições prodigiosas como o lírio, a águia e o inesquecido rosto amado com paixão, mas onde tudo se transforma em esquecimento, distância, impossibilidade e detrito. Jardins onde reconhecemos que a nossa condição é não saber. É não poder jamais encontrar a unidade. E encontrar a unidade seria acordar."
Sophia de Mello Breyner Andresen, Histórias da Terra e do Mar

Há jardins que encontram o mar... e mergulham numa fantasia sem fim, como num abismo eterno.
Onde fica?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Vietname (419)

  Việt Nam

O sentimento de patriotismo tão patente que nomeia uma importante cidade com o nome do seu soberano, num orgulho modesto que nos confunde.
"Độc Lập, Tự Do, Hạnh Phúc "
"Independência, liberdade, felicidade.


Vịnh Hạ Long

Baia Halong
Onde o dragão encontra o mar
Uma ilha tão pequena, com uma costa tão ingreme, tão inacessível. A terra livre do homem que não cessa de contempla-la com o desejo de a invadir, não obstante, não consegue… não tem coragem… não vemos vivalma na terra apenas no mar, que nunca foi nosso. 

"Eis-me
Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses
Para ficar sozinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplendor da tua face

Mas tu és de todos os ausentes o ausente
Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca
O meu coração desce as escadas do tempo
[em que não moras
E o teu encontro
São planícies e planícies de silêncio

Escura é a noite
Escura e transparente
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco
E eu não habito os jardins do teu silêncio
Porque tu és de todos os ausentes o ausente." 


Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Adormecer do Sol


"Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.
"
Sophia de Mello Breyner

Talvez o sol sinta a mesma atração pelo mar, onde todas as noites se deita… talvez se sinta uma estrela do mar, levada pelas ondas e envolvida pela suave espuma da rebentação … acordando num novo dia… 
E passa o dia a contempla-lo…  fazendo-o brilhar… 

sábado, 17 de outubro de 2020

Adivinha - Mar


"Mar

Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.

E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras
."
Sophia de Mello Breyner

O mar sereno na maré baixa que tudo revela… 
Onde fica?

domingo, 23 de agosto de 2020

Praia Vermelha, Perú.

"Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.

E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.
"
Sophia de Mello Breyner

Na Reserva Nacional de Paracas, localizada a poucos quilómetros de Pisco, na costa que se desfaz em tons de vermelho até encontrar o mar de um azul intenso.
Um território árido que preserva o ecossistema marinho e as memórias da cultura do povo de Paracas.
Um nome peculiar dado aos ventos fortes que assolam este território.


Imagem retirada da Internet.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Vietname (336)

Việt Nam

O sentimento de patriotismo tão patente que nomeia uma importante cidade com o nome do seu soberano, num orgulho modesto que nos confunde.
"Độc Lập, Tự Do, Hạnh Phúc "
"Independência, liberdade, felicidade."



Lai Châu 
A cidade perdida rodeada por plantações de chá, aos poucos e poucos vai adormecendo, embalada pelas cores alaranjadas deixadas pelo sol que vai partindo, para outras terras.

"[...]
Peço-te que sejas o presente.
Peço-te que inundes tudo.
E que o Teu reino antes do tempo venha
E se derrame sobre a Terra
Em Primavera feroz precipitado."


Sophia de Mello Breyner

sábado, 6 de junho de 2020

Adivinha - Rostos

Che Guevara

Conta ti se ergue a prudência dos inteligentes e o arrojo dos patetas
A indecisão dos complicados e o primarismo
Daqueles que confundem revolução com desforra

De poster em poster a tua imagem paira na sociedade de consumo
Como o Cristo em sangue paira no alheamento ordenado das igrejas

Porém
Em frente do teu rosto
Medita o adolescente à noite no seu quarto
Quando procura emergir de um mundo que apodrece

― Sophia de Mello Breyner Andresen, O Nome das Coisas


No alçado principal de um edifício cuja função não recordo, o seu rosto e o olhar de esperança.
Quando o urbanismo, a arquitectura e a arte urbana se uniam, motivando o sentido de comunidade, de sociedade.
Onde fica?

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Vietname (297)

Việt Nam

O sentimento de patriotismo tão patente que nomeia uma importante cidade com o nome do seu soberano, num orgulho modesto que nos confunde.
"Độc Lập, Tự Do, Hạnh Phúc "
"Independência, liberdade, felicidade."



Lai Châu 

"Mais adiante encontrei a tarde líquida,
A tarde leve, cheia de distâncias,
Escorrendo de céus azuis e fundos
Onde as nuvens se vão pra outros mundos."

Sophia de Mello Breyner

No contra-luz, desvenda-se os contornos de uma pequena árvore que lembra as espécies jurássicas… Viajo no tempo, por este pequeno vale que se prepara para receber a noite, não tarda…

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Vietname (289)

 Việt Nam

O sentimento de patriotismo tão patente que nomeia uma importante cidade com o nome do seu soberano, num orgulho modesto que nos confunde.
"Độc Lập, Tự Do, Hạnh Phúc "
"Independência, liberdade, felicidade."



Lai Châu
Montanhas sem fim, onde se escondem, nas encostas protegidas pequenas aldeias na beira do caminho que serpenteia o infinito. Imaginamos as vidas isoladas do mundo que conhecemos como nosso, que define a nossa identidade com a promiscuidade de uma certeza ilusória. O que pensam, o que sentem… serão livres… talvez, se forem também iludidos.

"[…]
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,

[…]"
Sophia de Mello Breyner

sábado, 25 de abril de 2020

Adivinha - 25 de Abril

25 de Abril
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen, 1974.


Trivia monacha
Numa praia banhada pelo Atlântico, mar que inspirou a poetisa portuguesa, pequenas pedras multicolores e búzios, trazidos pelas ondas… unem-se formando um tapete, uma multidão que anseia a liberdade da costa… tão pacíficos… gerados pela violência das águas envoltas por tempestades e ciclos ininterruptos.
O mesmo mar que recebeu os navegadores portugueses, na descoberta do mundo, que se abria para uma futura era global…
Tão sozinho no meio da multidão um búzio…
Onde fica a casa abandonada de um antigo gastrópode?
[ou o famoso beijinho, tão difícil de encontrar]

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Adormecer do Sol



Mar Sonoro

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.

Sophia de Mello Breyner

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Adormecer do Sol

Um encontro esperado… que nasceu do inesperado… até as gaivotas o admiram esperando ser contagiadas pela luz quente que ilumina o início de uma nova noite.

"Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida. [...] " *

E o sol nasceu novamente… no dia seguinte das montanhas…

*Sophia de Mello Breyner

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Nevoeiro madrugador

Coincidências que lemos no nevoeiro… quem diria…
Coincidências que aprendemos mais tarde, com a subida do sol… quase um ano depois, compreendemos a história esboçada pelo nevoeiro… Sorrimos de gratidão…

[31-12-2019]
 
 
[02-01-2019]
 
Hora

Sinto que hoje novamente embarco
Para as grandes aventuras,
Passam no ar palavras obscuras
E o meu desejo canta --- por isso marco
Nos meus sentidos a imagem desta hora.

Sonoro e profundo
Aquele mundo
Que eu sonhara e perdera
Espera
O peso dos meus gestos.

E dormem mil gestos nos meus dedos.

Desligados dos círculos funestos
Das mentiras alheias,
Finalmente solitárias,
As minhas mãos estão cheias
De expectativa e de segredos
Como os negros arvoredos
Que baloiçam na noite murmurando

Ao longe por mim oiço chamando
A voz das coisas que eu sei amar.

E de novo caminho para o mar.


Sophia de Mello Breyner Andresen | "Dia do mar", págs. 58 e 59 | Edições Ática, 1974

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Último dia

Espero

Espero por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.

Sophia de Mello Breyner Andresen


Um encontro que foi antecedido por uma espera… ou seriam dois encontros… a cidade também os esperou, desejando que a admirem do alto de uma das suas sete colinas que embelezam as lendas contadas.


Imagem retirada do documentário:
Sophia, na Primeira Pessoa.