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sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Adormecer do Sol

Um pensamento vago, a luz, o mar, o horizonte…
 


O mistério das coisas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o Sol
E a pensar muitas coisas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o Sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do Sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do Sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa..

Alberto Caeiro

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Laos (20)

 ສາທາລະນະລັດ ປະຊາທິປະໄຕ ປະຊາຊົນລາວ
República Democrática Popular do Laos


ແມ່ນ້ຳຂອງ
Rio Mekong

Enquanto tudo passa, contemplamos o exterior, o interior… o rio dourado e o rio Douro que guardo na memória; a vegetação cresce densa, sobrepondo-se em camadas quase intransponíveis.  

"Não basta abrir a janela
para ver os campos e o rio.
Não é o bastante não ser cego
para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela."

Alberto Caeiro

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

"Carnis Levale"

Uma festa que viaja pela história absorvendo vários significados, religiosos e culturais que variam mediante as vontades da lua.

"Carnaval

É Carnaval, e estão as ruas cheias
De gente que conserva a sensação,
Tenho intenções, pensamento, ideias,
Mas não posso ter máscara nem pão.

Esta gente é igual, eu sou diverso —
Mesmo entre os poetas não me aceitariam.
Às vezes nem sequer ponho isto em verso —
E o que digo, eles nunca assim diriam.

Que pouca gente a muita gente aqui!
Estou cansado, com cérebro e cansaço.
Vejo isto, e fico, extremamente aqui
Sozinho com o tempo e com o espaço.

Detrás de máscaras nosso ser espreita,
Detrás de bocas um mistério acode
Que meus versos anódinos enjeita.

Sou maior ou menor? Com mãos e pés
E boca falo e mexo-me no mundo.
Hoje, que todos são máscaras, és
Um ser máscara-gestos, em tão fundo..."


Álvaro de Campos


Para ilustrar um traje usado em festas tradicionais em Burkina Faso, para celebrar alguns rituais típicos das tribos locais.



Imagem retirada da Internet.

Fonte:
http://www.sergiopessolano.it/galleria2/burkina/pages/BF13-11.htm

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Adormecer do Sol


Ao longe o mar, onde o sol vai desaparecendo, a pequena cidade vai ficando deserta, é só nossa. Os montes iluminam o castelo e o palácio, sonhos que permaneceram como testemunhos de um tempo de fantasia, numa realidade que não sentimos.

"
[…]
Na estrada de Sintra, ou na estrada do sonho, ou na estrada da vida…
[…]
O meu coração insatisfeito,
O meu coração mais humano do que eu, mais exato que a vida.

Na estrada de Sintra, perto da meia-noite, ao luar, ao votante,
Na estrada de Sintra, que cansaço da própria imaginação,
Na estrada de Sintra, cada vez mais perto de Sintra,
Na estrada de Sintra, cada vez menos perto de mim…"


Álvaro de Campos

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Indiferença

Indiferença…. ouvimos, respondemos apenas com o silêncio, olhamos, mas não observamos.
Ignorantes, ignoramos, quase que somos mais felizes na ignorância.
Calamo-nos num sono profundo… adormecemos embalados pelos zumbidos da realidade que inebria a lucidez. 


"Ah! Ser indiferente!
É do alto do poder da sua indiferença
Que os chefes dos chefes dominam o mundo.

Ser alheio até a si mesmo!
É do alto do sentir desse alheamento
Que os mestres dos santos dominam o mundo.

Ser esquecido de que se existe!
É do alto do pensar desse esquecer
Que os deuses dos deuses dominam o mundo.

(Não ouvi o que dizias...
ouvi só a musica, e nem a essa ouvi...
Tocavas e falavas ao mesmo tempo?
Sim, creio que tocavas e falavas ao mesmo tempo...
Com quem?
Com alguém em quem tudo acabava no dormir do mundo..."


12-1-1935
Álvaro de Campos - Livro de Versos . Fernando Pessoa. 

Imagem retirada da Internet.
https://i.pinimg.com/564x/9b/d8/e7/9bd8e7036937fc314900ded4f1502e4e.jpg

sábado, 28 de novembro de 2020

Adivinha - Mundos


"Vi sempre o mundo independentemente de mim.
Por trás disso estavam as minhas sensações vivíssimas,
Mas isso era outro mundo.
"
Álvaro de Campos

Um corredor de ilusões, de vidas passadas, que cantavam a liberdade… 
Onde fica?




quinta-feira, 7 de maio de 2020

Vietname (280)

 Việt Nam

O sentimento de patriotismo tão patente que nomeia uma importante cidade com o nome do seu soberano, num orgulho modesto que nos confunde.
"Độc Lập, Tự Do, Hạnh Phúc "
"Independência, liberdade, felicidade."


Lào Cai
Sapa
Sa pa
Um afinal que finalmente se debruçou, mergulhando de bruços numa realidade irrealista.
"[…]
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê,
Nem ver quando se pensa.

[…]"
Alberto Caeiro

terça-feira, 21 de abril de 2020

Vietname (269)

Việt Nam

O sentimento de patriotismo tão patente que nomeia uma importante cidade com o nome do seu soberano, num orgulho modesto que nos confunde.
"Độc Lập, Tự Do, Hạnh Phúc "
"Independência, liberdade, felicidade."


Lào
Cai
Sapa
Sa pa
Tão longe vou, para me encontrar… tão longe, num lugar repleto de lendas… tão longe, para me descobrir…

"[…]
Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu, […]
Alberto Caeiro

domingo, 19 de abril de 2020

Algures no Utah

Um nome, um som, que remonta às origens das tribos que habitaram estes territórios em tempos longínquos. Uma das história conta-nos que o nome terá origem na tribo Ute, significando, povo das montanhas.

"[…]
Procuro dizer o que sinto
Sem pensar em que o sinto.
Procuro encostar as palavras à ideia
E não precisar dum corredor
Do pensamento para as palavras.
[…]"
Alberto Caeiro

Imagem retirada da Internet.

sábado, 18 de abril de 2020

Adivinha - [Não] Pensar

"[...]
Não estou pensando em nada, e que bom!
Pensar em nada
É ter a alma própria e inteira.
Pensar em nada
É viver intimamente
O fluxo e o refluxo da vida…
[…]"*


Na ilusão de não pensar em nada, de não saber o caminho, de não saber o dia… doce ilusão…
Onde fica?



Poema:
* Pensar; Álvaro de Campos.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Vietname (267)

Việt Nam

O sentimento de patriotismo tão patente que nomeia uma importante cidade com o nome do seu soberano, num orgulho modesto que nos confunde.
"Độc Lập, Tự Do, Hạnh Phúc "
"Independência, liberdade, felicidade."



Lào
Cai
Sapa
Sa pa
Tão longe nas montanhas o sol mergulha… vai ao teu encontro… até que eu te encontre…

"[…]
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar…
 
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar…"
Alberto Caeiro

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Vietname (266)

Việt Nam

O sentimento de patriotismo tão patente que nomeia uma importante cidade com o nome do seu soberano, num orgulho modesto que nos confunde.
"Độc Lập, Tự Do, Hạnh Phúc "
"Independência, liberdade, felicidade."



Lào
Cai
Sapa
Sa pa
Uma cabana improvisada que se tornou na cozinha permanente da família, por um período de tempo que acompanha a tenacidade dos materiais ou a melhoria financeira.
Da simplicidade descobrimos a riqueza dos sabores dos alimentos plantados a escassos metros, pelas famílias que nos recebem.

"Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
E se a terra fosse uma coisa para trincar
Seria mais feliz um momento…"
Alberto Caeiro

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Vietname (265)

Việt Nam

O sentimento de patriotismo tão patente que nomeia uma importante cidade com o nome do seu soberano, num orgulho modesto que nos confunde.
"Độc Lập, Tự Do, Hạnh Phúc "
"Independência, liberdade, felicidade."



Lào
Cai
Sapa
Sa pa
Num labirinto de pensamentos e de sentimentos que se evadem à medida que a brisa passa, agitando levemente as sementes douradas de arroz, prontas para serem colhidas…  esquecemo-nos do pensamento, perdido num adormecer latente, que brevemente se tornará num sono profundo.

"Pastor do monte, tão longe de mim com as tuas ovelhas —
Que felicidade é essa que pareces ter—a tua ou a minha?
A paz que sinto quando te vejo, pertence-me, ou pertence-te?
Não, nem a ti nem a mim, pastor.
Pertence só à felicidade e à paz
Nem tu a tens, porque não sabes que a tens.
Nem eu a tenho, porque sei que a tenho.
Ela é ela só, e cai sobre nós como o sol,
Que te bate nas costas e te aquece, e tu pensas noutra coisa indiferentemente,
E me bate na cara e me ofusca, e eu só penso no sol."
Alberto Caeiro

terça-feira, 14 de abril de 2020

Vietname (264)

Việt Nam

O sentimento de patriotismo tão patente que nomeia uma importante cidade com o nome do seu soberano, num orgulho modesto que nos confunde.
"Độc Lập, Tự Do, Hạnh Phúc "
"Independência, liberdade, felicidade."



Lào
Cai
Sapa
Sa pa
Um território sem fim… nem sabemos o que sentimos de tão arrebatador…
Sentimos com os sentidos…

"[…]
Percebemos demais as coisas — eis o erro e a dúvida.
O que existe transcende para baixo o que julgamos que existe.
A Realidade é apenas real e não pensada.
O Universo não é uma ideia minha.
[…]"
Alberto Caeiro


[13-04-2020]

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Vietname (263)

Việt Nam

O sentimento de patriotismo tão patente que nomeia uma importante cidade com o nome do seu soberano, num orgulho modesto que nos confunde.
"Độc Lập, Tự Do, Hạnh Phúc "
"Independência, liberdade, felicidade."



Lào
Cai
Sapa
Sa pa
Um território sem fim que se vai moldando às montanhas, um território desenhado pelo Homem e pela natureza, num respeito inusitado. Baixamo-nos até à altura das folhagens douradas e admiramos um submundo, numa escala que nos lembra histórias infantis… deixamos de ver... passamos a sonhar…

"Porque é que ver e ouvir seria iludirmo-nos 
Se ver e ouvir são ver e ouvir?"
Alberto Caeiro

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Vietname (262)

Việt Nam

O sentimento de patriotismo tão patente que nomeia uma importante cidade com o nome do seu soberano, num orgulho modesto que nos confunde.
"Độc Lập, Tự Do, Hạnh Phúc "
"Independência, liberdade, felicidade."



Lào
Cai
Sapa
Sa pa
Um rio plácido reflete as encostas douradas e a pequena aldeia… parece uma ilusão que espelha a nossa imaginação em algo real, afinal conseguimos sentir uma brisa, a ponte agita-se com a nossa passada, fazendo-nos quase despertar do sonho… andamos mais devagar, não vá o rio acordar-nos; pisamos o solo firme e agradecemos esta existência, o tempo para…

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"Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
 
[...]
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz."

Alberto Caeiro [Guardador de Rebanhos]

quinta-feira, 28 de março de 2019

Vietname (33)

Việt Nam

O sentimento de patriotismo tão patente que nomeia uma importante cidade com o nome do seu soberano, num orgulho modesto que nos confunde.
"Độc Lập, Tự Do, Hạnh Phúc "
"Independência, liberdade, felicidade."

Pleiku

"Sentir é estar distraído."
Alberto Caeiro.

domingo, 1 de julho de 2018

Logos - Rebanhos.

Black Beydan Tent

Uma tenda definida por um conjunto de palavras, de vivências desconhecidas.
Algures no continente africano, onde os territórios sem fim nos fazem quase esquecer as fronteiras retilíneas sem história.

"Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado."
Guardador de rebanhos, Alberto Caeiro.



[02-06-2018]

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Persépolis, Irão (225)

ايران
Finalmente no Irão!
𐎱𐎠𐎼𐎿
Persépolis


A Porta Xerxes
 
"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto, (..)"


O guardador de rebanhos, Alberto Caeiro.

terça-feira, 1 de março de 2016

2º Viagens

"Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência.
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para ondem tendem as estranhas forças centrifugas
Que são psiques humanas no seu acordo de sentidos.

Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta com várias pessoas.
Quanto mais personalidade eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultâneamente  sentir todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento.
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora."

(...)
Álvaro de Campos (104).


Assim começou mais uma jornada.



Antigamente decorava alguns poemas para poder recordar em qualquer lugar, ainda sei alguns de cor.
Agora o blogue auxilia-me nesta tarefa de recordar alguns textos que particularmente me interessam mediante várias circunstancias. E assim continuo a arquivar memórias, de uma forma mais ou menos organizada. Porque tudo acaba por se ligar de forma mais ou menos dispersa pelo tempo e sobretudo pelo pensamento.

[09-01-2016]