Mostrar mensagens com a etiqueta Arquitectura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arquitectura. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Logos - Viagens pelos sonhos


Lido por aí:

"The brain is a very big place in a very small space."


Conhecemos um novo espaço, uma nova realidade, surgem analogias com base na nossa experiência, não conseguimos evitar os pensamentos que fluem a uma velocidade que não sabemos medir. 

Uma palavra apenas e o meu pensamento recordou-me da seguinte passagem:

"[…]se Deus fez as estrellas o os planetas, o homem fez a bala, que é o criterium das velocidades terrestres e uma imitação, em menores proporções, dos astros que erram no espaço, que não são mais do que outros tantos projectis! Pertence a Deus a velocidade da electricidade, a Deus a velocidade da luz, a velocidade das estrellas, a velocidade dos cometas, a velocidade dos planetas, a velocidade dos satellites, a velocidade do som, a velocidade do vento! Mas a nós os homens a velocidade da bala, cem vezes superior á velocidade da locomotiva ou do mais rápido corcel!"
Da Terra á Lua; Viagem Directa; Em 97 horas e 20 minutos; Júlio Verne; traducção de Henrique de Macedo

Uma história sonhada e contada no século XIX, mais tarde concretizou-se….

Imagem retirada da Internet.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Logos - Egalité, fraternité et liberté!

Por uma arquitetura acessível a todos!
Assinalo assim mais um 25 de Abril!

Mas afinal que edifício era aquele que aparecia na fotografia de Andreas Gursky, que levou à origem de mais um Logos aqui no blogue?
[Já se passaram vários meses, o ano já mudou, mas esta pareceu-me ser a data ideal.]

Mouchotte, Montparnasse.
Jean Dubuisson [1914 -2011]

88 000 metros quadrados distribuídos em 17 pisos, para abrigarem 752 fogos.
40 metros de altura por 200 metros de comprimento.
Um edifício de habitação desenhado pelo arquitecto Jean Dubuisson e construído nos anos 60 constituiu «l’une des transformations majeures du paysage parisien au XXe siècle et la première des opérations de rénovation urbaine conduites sur la rive gauche».


«L’aspect le plus remarquable de l’immeuble Mouchotte est sans doute son mur-rideau, une première parisienne en logements locatifs de cette ampleur», confirme Pascal Perris, architecte et commissaire de la rétrospective Jean Dubuisson en 1998 à l'IFA. D’aucuns ne peuvent qu’admirer le déploiement, sur 40 mètres de haut et 200 mètres de long en moyenne, du fameux 'écossais Dubuisson', trame composée de panneaux et allèges en verre avec menuiseries en aluminium anodisé dont la répétition forme «un rythme inspiré de l’époque positiviste».

Nem sempre é fácil conseguir um alçado com uma métrica tão regular.
«Les dormants étant superposés aux ouvrants, le dessin ne change pas en fonction de l’usage», poursuit le commissaire. Implacable trame, impeccable surface. «Alors qu’elle n’a fait l’objet d’aucun entretien en particulier, la façade est aujourd’hui encore dans un état exceptionnel ; c’est une démonstration de résistance», souligne Gérard Monnier, historien de l’architecture contemporaine. De type mur-rideau - en fait des panneaux fixés à chaque étage sur les dalles de planchers et les murs porteurs -, les façades de Mouchotte ne forment qu’une première lecture du bâtiment.

Le 'tableau à la Mondrian' s’anime une fois la nuit tombée. «Le bâtiment offre une deuxième lecture quand tout s’allume. Il offre alors un échantillon de la population parisienne», souligne Pascal Perris. L’écossais Dubuisson : un dessin «mais aussi une façon de régler la quantité de logements». Autrement dit, de conférer l'échelle humaine à l’immensité.
«En mai 1968, quand les drapeaux fleurissent aux fenêtres des appartements, la façade, carte géopolitique, est le reflet des convictions de ses locataires», se souvient Pascal Perris. «Toutes les fenêtres étaient dotées d’un drapeau rouge», confirme Eva Dupond. Ou l’écossais Dubuisson devenu écarlate.

No interior;
Les 'tablettes à casier', double-plateaux composant un espace de rangement au droit intérieur de l’allège sur toute la longueur de la façade.
Contras apresentados pelos moradores:
Heureuses baies vitrées du sol en plafond, inondant l’espace de lumière. Un bémol, pourtant : «l’isolation thermique est un point faible. 36° à partir du mois de juin en fin d’après-midi, c’est beaucoup, sachant que les stores intérieurs, qui n’occultent pas l’allège vitrée, ne font tomber la température que de 1°»,

O Urbanismo, enquanto pensamento crítico e social.
«Le moment, rappelons-le, est celui de l’émergence d’une pensée critique sur la ville, qu’illustrent la thèse du 'droit à la ville’ et les formules de l’autogestion que préconise Henri Lefebvre. Les couches qui accèdent à Mouchotte, cultivées, souvent au contact des lieux de pouvoir et de la communication, quelquefois aisées, ont les moyens nécessaires pour manifester en grandeur réelle cette pensée critique», soulignent Pierre Caillot et Gérard Monnier.


Um logos bilingue.
[Uma mistura de português com francês... Uma coerência de línguas numa acordância (?) bem dúbia. Se não perceberes encontramo-nos no email!]


Todas as imagens foram recolhidas da Internet.
Fonte:
http://www.lecourrierdelarchitecte.com/article_1762

terça-feira, 10 de outubro de 2017

"Vivre à Paris"

Uma fotografia de Andreas Gursky, num registo de Montparnasse, em Paris.


Lembrei-me invariavelmente desta citação de Gaston Bachelard, que já referi mais vezes do que esperava:
https://entrepreambulos.blogspot.pt/2017/04/hong-kong-4.html
https://entrepreambulos.blogspot.pt/2016/04/41-noite-6.html

   «Em Paris, não existem casas. Em caixas sobrepostas vivem os habitantes da grande cidade: "Nosso quarto parisiense", diz Paul Claudel [1], entre suas quatro paredes, é uma espécie de lugar geométrico, um lugar convencional que mobilamos com imagens, bibelôs e armários dentro de um armário." O número da rua, o algarismo do andar fixam a localização do nosso "buraco convencional", mas nossa morada não tem nem espaço ao seu redor nem verticalidade em si mesma. "Sobre o chão as casas são fixadas com asfalto para não afundarem na terra." [2] A casa não tem raízes. Coisa inimaginável para um sonhador de casa: os arranha céus não têm porão. Da calçada ao tecto, as peças se amontoam e a tenda de um céu sem horizontes encerra a cidade inteira. Os edifícios, na cidade, têm uma altura exterior. Os elevadores destroem os heroísmos da escada. Já não há mérito em morar perto do céu. E o em casa não é mais que uma simples horizontalidade. Falta às diferentes peças de um abrigo acuado no pavimento um dos princípios fundamentais para distinguir e classificar os valores da intimidade.
   À falta de valores de íntimos de verticalidade, é preciso acrescentar a falta de cosmicidade da casa das grandes cidades. As casas, ali, já não estão na natureza. As relações da moradia com o espaço tornam-se artificiais. Tudo é máquina e a vida íntima foge por todos os lados. "As ruas são como tubos onde os homens são aspirados." [3]
   E a casa já não conhece os dramas do universo. Às vezes o vento vem quebrar uma telha para matar um pedestre na rua. O crime do telhado não visa senão ao pedestre atrasado. Por um instante o relâmpago incendeia os vidros da janela. Mas a casa não treme sob os golpes dos trovões. Não treme connosco e por nós. Em nossas casas grudadas umas às outras, temos menos medo. A tempestade sobre Paris não tem contra o sonhador a mesma capacidade ofensiva que a casa de um solitário.
Compreendemos isso melhor quando tivermos estudado, nos parágrafos posteriores, a situação da casa no mundo, situação que nos dá, de maneira concreta, uma variação da situação, não raro tão metafisicamente resumida, do homem no mundo.»
[Gaston Bachelard, Poética do Espaço, p. 44/45]

[Entusiasmei-me e fui acrescentando frases...]
[Daqui a duas semanas sai uma publicação com a informação sobre o edifício registado na fotografia.]
[Nota para mim mesmo:Uma resolução; comprar este livro na versão francesa!! E por que não comprar também o La formation de l'esprit scientifique.]

[1] Paul Claudel, Oiseau noir dans le soleil levant, p. 144.
[2] Max Picard, La fuite devant Dieu, trad. francesa, p. 121.
[3] Max Picard, La fuite devant Dieu, trad. francesa, p. 119.
Fonte:
http://www.andreasgursky.com/en/works/1993/paris-montparnasse

[02-09-2017 03:13]

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Semelhanças (1)

Um tema que queria explorar há algum tempo, mas fui adiando... guardando vários rascunhos, etc.
Porque as quartas-feiras são sempre difíceis, o fim de semana ainda parece uma miragem, é-lhe dedicado este novo tema, a titulo inspiração. Talvez apareçam todas as semanas, ou apenas de vez em quando, veremos. Ou será mais um tema que deriva do Logos - mas desta vez com "imagens".*

Ricardo Bofill, La Muralla Roja, 1973.






E o que é que esta obra me fez lembrar?  [revê a imagem anterior]
A xilogravura de Maurits Cornelis Escher - Relativity, 1953.  
[A sua data de nascimento - 17 de junho de 1898.]

* Logos: http://entrepreambulos.blogspot.com/2016/04/logos-preambulo.html

Todas as Imagens foram retiradas da Internet.
Fontes:
http://www.ricardobofill.com/