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domingo, 27 de fevereiro de 2022

Rio Li, China.

漓江



"A Flor do Sonho

A Flor do Sonho, alvíssima, divina,
Miraculosamente abriu em mim,
Como se uma magnólia de cetim
Fosse florir num muro todo em ruína.

Pende em meu seio a haste branda e fina
E não posso entender como é que, enfim,
Essa tão rara flor abriu assim! ...
Milagre ... fantasia ... ou, talvez, sina ...

Ó Flor que em mim nasceste sem abrolhos,
Que tem que sejam tristes os meus olhos
Se eles são tristes pelo amor de ti?! ...

Desde que em mim nasceste em noite calma,
Voou ao longe a asa da minha’alma
E nunca, nunca mais eu me entendi ...
"

Florbela Espanca.

Imagem retirada da Internet.

Fonte.
https://windows10spotlight.com/wp-content/uploads/2020/07/c6b45d83c46635192a295793dc3fe49d.jpg

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Laos (94)

ສາທາລະນະລັດ ປະຊາທິປະໄຕ ປະຊາຊົນລາວ
República Democrática Popular do Laos  



ແມ່ນ້ຳຂອງ
Rio Mekong
ປາກແບ່ງ
Pak Beng

Nos céus as danças das nuvens que se contemplam vaidosas no espelho do rio.

"Volúpia

No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frêmito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!

A sombra entre a mentira e a verdade...
A nuvem que arrastou o vento norte...
- Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!

Trago dálias vermelhas no regaço...
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!

E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças..."


Florbela Espanca

sábado, 11 de setembro de 2021

Adivinha - Triste Lamento


"Angústia

Tortura do pensar! Triste lamento!
Quem nos dera calar a tua voz!
Quem nos dera cá dentro, muito a sós,
Estrangular a hidra num momento!
E não se quer pensar! ... e o pensamento
Sempre a morder-nos bem, dentro de nós ...
Querer apagar no céu – ó sonho atroz! –
O brilho duma estrela, com o vento! ...
E não se apaga, não ... nada se apaga!
Vem sempre rastejando como a vaga ...
Vem sempre perguntando: «O que te resta? ...»
Ah! não ser mais que o vago, o infinito!
Ser pedaço de gelo, ser granito,
Ser rugido de tigre na floresta!
"
Florbela Espanca

Os edifícios calam o sofrimento humano…
Onde fica?


terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Vietname (417)

 Việt Nam

O sentimento de patriotismo tão patente que nomeia uma importante cidade com o nome do seu soberano, num orgulho modesto que nos confunde.
"Độc Lập, Tự Do, Hạnh Phúc "
"Independência, liberdade, felicidade.




Vịnh Hạ Long

Baia Halong
Onde o dragão encontra o mar
O sol a pouco e pouco aparece tornando o mar e as ilhas de um verde jade… decorei alguns poemas para que os pudesse recordar em qualquer lugar do mundo…vou repetindo-os, por vezes, para os manter vivos na minha memória.  

Teus olhos têm uma cor
de uma expressão tão divina,
tão misteriosa e triste.
Como foi a minha sina!!!
É uma expressão de saudade
vagando num mar incerto.
Parecem negros de longe...
Parecem azuis de perto...
Mas nem negros nem azuis
são teus olhos meu amor...
Seriam da cor da mágoa,
se a mágoa tivesse cor.

Florbela Espanca 
[8-12]



domingo, 5 de julho de 2020

Parque Nacional Sajama, Bolívia.




Vulcões.

Tudo é frio e gelado. O gume dum punhal
Não tem a lividez sinistra da montanha
Quando a noite a inunda dum manto sem igual
De neve branca e fria onde o luar se banha

No entanto que fogo, que lavas, a montanha
Oculta no seu seio de lividez fatal
Tudo é quente lá dentro... e que paixão tamanha
A fria neve envolve em seu vestido ideal!

No gelo da indiferença ocultam-se as paixões
Como no gelo frio do cume da montanha
Se oculta a lava quente do seio dos vulcões...

Assim quando eu te falo alegre, friamente,
Sem um tremor de voz, mal sabes tu que estranha
Paixão, palpita e ruge em mim doida e fremente!


Florbela Espanca


Um parque situado na majestosa cordilheira dos Andes, considerada a mais comprida do mundo, estendendo-se através de 7100 km, ao longo do continente sul-americano e atingindo quase os 7000 metros de altitude.


O pequeno povoado de Sajama, protegida pelo vulcão com o mesmo nome, adormecido dizem, pelas neves eternas que cobrem o seu topo de branco. Suspiramos, admiramos a sua altitude imponente, sonhamos…


Na Bolívia, desvendamos o parque nacional Sajama, junto à fronteira com o Chile, apresentando a terra com um organismo em constante mutação, exprimindo-se através de geiser, de glaciares, de nascentes de água quente e de vulcões. A Terra impõe-se majestosamente, a comunidade local respeita-a protegendo-a como um lugar quase sagrado.


A cordilheira composta por montanhas e vulcões atravessa inúmeros países, desenhando o limite do continente junto ao oceano Pacifico.
Os vulcões gémeos Payachata, na fronteira entre o Chile e a Bolivia, ainda activos, cobertos de neve ignorando o calor interior, plácidos e indiferentes, parecem adormecidos pelo inverno.

domingo, 14 de junho de 2020

Algures em Staffordshire

Entre as realidades das verdades citadinas desvendamos pequenos tesouros da natureza que vive a doçura da primavera…



"Enquanto na planície o sol dançava,
Todos os seus desejos recresciam.
Pálida neve! O seu rosto nevava…
Seus olhos tristes às dores sorriam.

Da janela da noite suspirava.
Amores seus, proibidos, consumiam:
A seara infecunda que secava…
E as papoilas de génio que nasciam.

[…]"
Florbela Espanca


Imagem retirada da Internet.
Fonte:
https://www.instagram.com/p/CA2kEtUHw6p/?igshid=3x5cxis6n984

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Vietname (305)

Việt Nam

O sentimento de patriotismo tão patente que nomeia uma importante cidade com o nome do seu soberano, num orgulho modesto que nos confunde.
"Độc Lập, Tự Do, Hạnh Phúc "
"Independência, liberdade, felicidade."



Lai Châu 
Não conseguimos imaginar a dureza das vidas que dependem da vontade do sol, da terra, da natureza para abastecerem os seus celeiros; reparamos que num sentido muito lato e abstrato dependemos todos de forças exteriores para obtermos os mesmos fins. Somos apenas livres na ilusão…

"[…] lateja uma força hercúlea, força que se resolve num espasmo, que quer criar e não pode." (Florbela Espanca)
 

domingo, 17 de maio de 2020

rio Li

漓江
"Trago no olhar visões extraordinárias, de coisas que abracei de olhos fechados."
Florbela Espanca

 

Um pôr do sol no rio Li, na China, que parece uma aguarela, técnica de pintura que terá surgido neste país há mais de 2000 anos.
A natureza evoca o lado artístico, um sentimento é capturado e registado mediante a sensibilidade do criador que desenvolve as suas técnicas inspirado pelo contexto que o rodeia.

Imagem retirada da Internet.
Fonte: Steve Vidler

domingo, 10 de maio de 2020

Castelo de Palmira

قلعة فخر الدين المعني‎Qalaat Fakhr ad-Din al-Maani

Um castelo erigido sobre um monte sobranceiro à mítica e antiga cidade Palmira, erigida num oasis de palmeiras, no deserto Sírio.
Um território que aparece na história da humanidade há vários milénios, numa afluência de culturas e de impérios, que foram sucedendo num ciclo de conquistas e derrotas.
Hoje restam as ruínas que contam histórias inimagináveis, interpretadas por arqueólogos, desde o início do século XX.


O castelo funde-se nas encostas do monte, crê-se que desde o século XIII, localizado entre o rio Eufrates e o mar Mediterrânio, constituiu um importante ponto de paragem dos mercadores. 


Deixa tombar meus rútilos castelos!
Tenho ainda mais sonhos para erguê-los
Mais alto do que as águias pelo ar!
" *

Um castelo que vai sobrevivendo entre guerras e momentos de paz que parecem ilusões, oasis de tranquilidade. Talvez o amanhã acorde mais sereno…


P. S. 生日快乐!!!

Todas as Imagens foram retiradas da Internet.
Fontes:
https://live.staticflickr.com/8848/18021247730_f91908361a_b.jpg
https://ssl.c.photoshelter.com/img-get/I0000Sct62OC2y9o/s/1200/I0000Sct62OC2y9o.jpg
https://farm8.staticflickr.com/7860/46036208085_86f1c562d4_b.jpg

* Ruínas; Florbela Espanca

sábado, 9 de maio de 2020

Adivinha - Ruínas


"[…]
E deixa sobre as ruínas crescer heras,
Deixa-as beijar as pedras e florir!
Que a vida é um contínuo destruir
De palácios do Reino das Quimeras!

[…]
Sonhos que tombam! Derrocada louca!
São como os beijos duma linda boca!
Sonhos!... Deixa-os tombar… Deixa-os tombar."


Florbela Espanca

As ruínas são como fantasmas, repletos de emoções e sentimentos que mantêm o seu espirito vivo, num corpo que vai ruindo… até desaparecer.
Onde fica?

domingo, 18 de agosto de 2019

Rovaniemi, Finlândia.


Parece quase o Outono pela coloração da vegetação… mas recordo que a neve queima com a sua brancura gélida.
É Primavera!

A Tua Voz de Primavera 
Manto de seda azul, o céu reflete
Quanta alegria na minha alma vai!
Tenho os meus lábios úmidos: tomai
A flor e o mel que a vida nos promete!

Sinfonia de luz meu corpo não repete
O ritmo e a cor dum mesmo desejo... olhai!
Iguala o sol que sempre às ondas cai,
Sem que a visão dos poentes se complete!

Meus pequeninos seios cor-de-rosa,
Se os roça ou prende a tua mão nervosa,
Têm a firmeza elástica dos gamos...

Para os teus beijos, sensual, flori!
E amendoeira em flor, só ofereço os ramos,
Só me exalto e sou linda para ti!
Florbela Espanca.

Imagem retirada da Internet.
Fonte:
https://www.instagram.com/janiylinampa/

sábado, 1 de junho de 2019

Adivinha - Crianças

"És pequenina e ris ... A boca breve
É um pequeno idílio cor-de-rosa …
Haste de lírio frágil e mimosa!
Cofre de beijos feito sonho e neve! [...]"

Florbela Espanca


Uma família, uma comunidade que se une, respeitando os valores inerentes à sua condição, inerentes ao seu estado.
Onde fica?

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Shiraz, Irão (345)

ايران
Finalmente no Irão!
شیراز
Shiraz
سعدی شیرازی
Saadi Shirazi


Umas arcadas abrem-se sobre o jardim, as pessoas reunissem-se em grupos distintos.
As mulheres cobertas por mantos pretos e os homens vestidos com leves roupas brancas; distintos como o dia da noite, como o símbolo yin yang, forças ocultas que os separam em extremos, levados a acreditar numa tradição de valores.
Por vezes cruzam-se…
"Abaixo sempre os meus olhos
Quando encontro o teu olhar;" *

*Florbela Espanca

sábado, 22 de dezembro de 2018

Adivinha - Persistência

Perdi meus fantásticos castelos 

Perdi meus fantásticos castelos
Como névoa distante que se esfuma…   
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
Quebrei as minhas lanças uma a uma!

Perdi minhas galeras entre os gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma…  
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? –
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!

Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias…  

Sobem-me aos lábios súplicas estranhas…  
Sobre o meu coração pesam montanhas…  
Olho assombrada as minhas mãos vazias…  

Florbela Espanca

Uma construção construída inúmeras vezes, teimando contra a Terra que queria tanto vê-la derrubada… Mas sobrevive, graças à persistência, à vontade e ao sonho de uma concretização.
Onde fica?


[18-12-2018]

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Shiraz, Irão (340)

ايران
Finalmente no Irão!
شیراز
Shiraz

Jardim Narenjestan ou Qavam.


Despeço-me deste pequeno oásis, será que algum dia voltarei a este lugar, a este país que estou quase a deixar…

"Esquecer! Para quê?... Ah, como é vão!
[...]
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar
Mais decididamente me lembrar de ti!

Florbela Espanca

[16-12-2018]

domingo, 16 de dezembro de 2018

Gronelândia



"Tudo é frio e gelado. O gume dum punhal
Não tem a lividez sinistra da montanha
Quando a noite a inunda dum manto sem igual
De neve branca e fria onde o luar se banha.

[...]
No gelo da indiferença ocultam-se as paixões
Como no gelo frio do cume da montanha"

Florbela Espanca

Talvez a paixão seja trazida pelo barco, que suavemente desliza pelas geladas águas envoltas de uma brancura pouco branda.
[15-12-2018]

Imagem recolhida na Internet.
Fonte:
https://www.instagram.com/p/BZUDpZ7huRB/

domingo, 22 de julho de 2018

Varanasi, Índia.

वाराणसी

Encontrei esta fotografia sem querer, entre os passeios que faço ocasionalmente pelos sites que me inspiram... guardo-a pensando num domingo de resoluções e agora apercebo-me que era de um dos lugares que mais gostaria de visitar - Varanasi.


Um pequeno templo dedicado a Shiva submerso pelas sagradas águas do rio Ganges...
[...]"Ah, como eu te adoro, como eu te quero, amor!"
Florbela Espanca.

Imagem recolhida da Internet.

terça-feira, 17 de julho de 2018

O adormecer do Sol

 မြန်မာ

Lembro-me de um verso, vou procurar o poema... lembro-me de ti...
Talvez tenha pensado em ti neste dia, durante este momento...



"Aborreço-te muito. Em ti há qualquer cousa
De frio e de gelado, de pérfido e cruel,
Como um orvalho frio no tampo duma lousa,
Como em doirada taça algum amargo fel.

Odeio-te também. O teu olhar ideal
O teu perfil suave, a tua boca linda,
São belas expressões de todo o humano mal
Que inunda o mar e o céu e toda a terra infinda.

Desprezo-te também. Quando te ris e falas,
Eu fico-me a pensar no mal que tu calas
Dizendo que me queres em íntimo fervor!

Odeio-te e desprezo-te. Aqui toda a minh'alma
Confessa-to a rir, muito serena e calma!
..............................................................
Ah, como eu te adoro, como eu te quero, amor!...
"

Florbela Espanca

domingo, 15 de julho de 2018

Vermelho - Índia

 भारत

Um regresso à obra de Florbela Espanca e um regresso à Índia, num anseio quase silencioso.
Paredes vermelhas que parecem clamar os pensamentos dos que aqui prestaram homenagem à sua fé.
E que pensamentos seriam esses...



"Horas Rubras

Horas profundas, lentas e caladas
Feitas de beijos rubros e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas...

Oiço olaias em flor às gargalhadas...
Tombam astros em fogo, astros dementes,
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p'las estradas...

Os meus lábios são brancos como lagos...
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras...

Sou chama e neve e branca e mist'riosa...
E sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!"

Florbela Espanca


Imagem retirada algures da Internet, possivelmente um registo da Índia.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

O adormecer do Sol

Já falaste com o sol que se despede, contando-lhe os teus sonhos, enquanto suspiras com o amanhã?
Recordo os pensamentos, desta hora, deste instante no cume das montanhas que rodeiam o vulcão Bromo. Não me lembro do ano... detalhes que se desvanecem... Apenas recordo o sentir.



"Falo de ti às pedras das estradas,
E ao sol que e louro como o teu olhar,
Falo ao rio, que desdobra a faiscar,
Vestidos de princesas e de fadas;

Falo às gaivotas de asas desdobradas,
Lembrando lenços brancos a acenar,
E aos mastros que apunhalam o luar
Na solidão das noites consteladas;

Digo os anseios, os sonhos, os desejos
Donde a tua alma, tonta de vitória,
Levanta ao céu a torre dos meus beijos!

E os meus gritos de amor, cruzando o espaço,
Sobre os brocados fúlgidos da glória,
São astros que me tombam do regaço!"


Florbela Espanca.