" Depois de vagabundear incerto algum tempo por outros países, esqueço-me de quem sou, quase (...)
O meio que nos envolve é também um pouco de nós, seguramente."
(Mário de Sá-Carneiro; A Grande Sombra)
O adormecer do Sol sobre uma cidade rodeada por montanhas, no centro de uma ilha rodeada pelo oceano Índico. Um lugar cativo, um esconderijo, um refúgio para os dias mais quentes… um segredo que descobrimos com a candura da sua beleza inesperada, repleta de influências das mais distantes culturas, que atravessaram os mares ali tão longe.
La lumière joue et rit à la surface des choses, mais seule, la chaleur pénètre.[...] Ce besoin de pénétrer, d'aller à l'intérieur des choses, à l'intérieur des êtres, est une séduction de l'intuition, de la chaleur intime. Où l'oeil ne va pas, où la main n'entre pas, la chaleur s'insinue.
La psychanalyse du feu de Gaston Bachelard.
Após ver um episódio da série baseada no livro Guerra e Paz de Tolstoy, lembrei-me de ir reler algumas frases que apontei quando o li. Algumas pareceram-me ideias para ilustrar as noites na Mongólia
"Olhou para o céu: o aspecto era tão belo como o da terra: as nuvens levadas pelo vento, corriam por cima do cume das árvores e punham a descoberto miríades de estrelas naquele infinito sem fundo, que ora parecia elevar-se, a perder de vista, por sobre a sua cabeça, ora baixar-se até ao alcance da mão."
Por falar em estrelas, lembrei-me dos pirilampos... nas plantações de chá numa antiga colónia inglesa no norte da Índia e no acampamento junto ao rio "negro" no Sri Lanka.
E assim a partir de uma simples frase, várias memórias assaltaram o meu pensamento. Relembrei emoções e dúvidas que surgiram de rompante naqueles dias.
Pôr do Sol numa das margens do rio Kalu Ganga - කළු ගඟ - no Sri Lanka.
Não fossem as datas não me lembraria do local onde esta fotografia fora captada.
Os momentos passam por nós, sentimos, saboreamos cada instante e reservamos essas memórias, no nosso pensamento ou na nossa forma de ser.
Retomamos verdades esquecidas, concretizando-as novamente. Afinal o tempo não é apenas contabilizado pelas horas, pela duração das noites ou pela duração das tardes.
Relembro o momento desta fotografia e as horas seguintes.
Num segundo tudo poderia mudar, aquilo que tomamos como garantindo poderia desaparecer arrastado pela força da natureza, pelos ciclos que a regem.
Assim para este Domingo, uma resolução diferente; aprender a valorizar cada momento, cada instante e agradecer a oportunidade de um novo dia.
Hoje na rtp2 às 12h00 deu um programa sobre os trajetos de comboio no Sri Lanka, uma forma de conhecer o país, a sua população e cultura. http://www.rtp.pt/programa/tv/p32950
Para acompanhar um video que publiquei no youtube, um pequeno texto que relata parte de um dia passado no Sri Lanka. Sobre esta viagem, voltarei a falar, talvez, daqui a uns meses.
[Lembrei-me que tinha prometido esta publicação ao organizar o ambiente de trabalho. Tarefa que ainda não foi concluída.] 28-02-2016 - Sri Lanka.
Acordei na encosta de uma montanha que se erguia sobre um estreito vale que a vista não alcança. Apenas ouvia o som da água a correr, talvez de um riacho ou de um rio e o som dos animais que despertavam com o nascer de mais um dia ensolarado.
Depois de um pequeno almoço tomado à pressa dirigi-me até à estação de Ella, onde apanhei um comboio até Haputale.
Passando por arrozais; Por plantações de chá;
O som do comboio leva-nos para um tempo passado, viajamos pelas montanhas do Sri Lanka e ao mesmo tempo recordamos tempos passados. Lembro-me que adorava comboios e as viagens que é possível realizar pelas linhas portuguesas ainda me surpreendem.
O senhor a vender "peanuts".... e os caramelos da Régua?
As vozes dos turistas, dos habitantes locais, um monge budista que adormece embalado pelo balançar natural do comboio a vencer as linhas.
A natureza surpreende pela habilidade do Homem em a compreender.
[Ao longo da viagem ouvi várias receitas naturais ayurvédicas, algumas bem bizarras.
Um exemplo que não consigo deixar de partilhar - uma planta que é capaz de "unir/recuperar" um membro mutilado. Será verdade, será que foi alguma falha na comunicação... não sei... mas foi o que entendi. No Camboja apresentaram-me a semente de uma árvore que era capaz de curar a malária... Fico-me por estes dois exemplos.]
Chegada a Haputale;
Adorei a escrita cingalesa (Cingalês සිංහල) que dizem ser bastante próxima do sânscrito. Esta é a lingua falada pela maioria da população.
Perto de Haputale descobri estas cascatas depois de um longo percurso entre pequenas aldeias;
Um percurso que aconselho a realizares e sobre o qual voltarei a falar [para ficares convencido].
Uma mensagem rápida para te dizer que tens dois videos bem caseiros de uma cascata no Sri Lanka.
Foi um percurso cansativo, sobretudo pelo calor que se fazia sentir, mas compensou!
Tu vale a pena...
Ao rever estes videos lembrei-me imediatamente do som que os animais que vivem escondidos na natureza emitem, principalmente ao amanhecer e entardecer.
8 de Março (2016)
O dia das mulheres continuará a ser assinalado enquanto as desigualdades persistirem.
Talvez um dia as diferenças sejam esquecidas, desvalorizadas e deixe de fazer sentido assinalar uma data.
Esta fotografia foi tirada no Siri Lanka junto a um templo (budista) no qual era necessário entrar de cabeça descoberta...
P.S. Pena que muitos também se aproveitem desta data para golpes publicitários...