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segunda-feira, 4 de abril de 2016

25º Dépaysé (5)


[Horas Más*]

Escrever é compensador, libertador, seja com uma caneta ou um lápis, aquilo que permita acompanhar a fluidez do pensamento.
Podemos escrever numa folha solta sem destino e queimá-la de seguida
As palavras tornam-se cinzas, o pensamento recupera a sua frescura e a consciência a sua calma.
Ou podemos guardar a folha como um segredo que não conseguimos partilhar... E as palavras repousam adormecidas, até que a coragem as denuncie.

À noite as palavras surgem juntando-se, formando frases, formulando pensamentos, afugentando o sono aparentemente inevitável.
E as horas passam anunciadas pelos barulhos habituais de cada madrugada.
O que fazer, o que pensar...
Mais uma vez o nevoeiro veste a noite com uma cor que pertence a uma hora crepuscular, sem o ser.
O que virá?

Até que a caneta não se move...
Mas os pensamentos voltam e relembro um vasto território... que invadiu de novo o meu pensamento.
Fica para amanhã!

[29-12-2016]
 
 
 *O titulo desta publicação é também o título de um conto - La Mala Hora; Gabriel García Márquez. 
 

sexta-feira, 1 de abril de 2016

24º Dépaysé (4)


[Quase nada]

[Qual é a definição de minimalismo?]
É preciso tão pouco para viver ... Há quem diga sobreviver...
Perspetivas.
Mas tudo é tão superficial...
Quem ambiciona um determinado bem material, nunca se sentirá verdadeiramente realizado, haverá sempre mais para desejar, no dia seguinte.
E assim vivemos insensatos, permanentemente insatisfeitos e consequentemente insatisfeitos.
Quando na realidade é preciso tão pouco...

[Será?]

Ao longo da viagem a visão sobre a vida, sobre o seu sentido altera-se.
Tudo se torna mais claro, num desapego emocional e material enriquecedor.

[08-01-2016]
 
Não sei se já o tinha referido, mas as datas no final de cada texto correspondem aos dias em que os escrevi. Porque preciso desta referência, para me lembrar de quem fui naquele dia.
 
Faço sempre duas viagens; a viagem propriamente dita e depois quando regresso através das notas que vou apontando e organizando. Para nunca me esquecer, para um dia reler e voltar a viajar. 

quinta-feira, 31 de março de 2016

23º Dépaysé (3)

"Olha para ti como se olhasses para um estranho. O que vês?"

O céu é refletido pela superfície do rio que corre serenamente.
Às vezes precisamos do outro para nos reconhecermos...
[20-03-2016] 

quarta-feira, 30 de março de 2016

22º Dépaysé (2)


Somos apenas nós com os nossos pensamentos, cada vez mais libertos de amarras por vezes impostas pela sociedade ou por nós próprios.

Alguns valores parecem alterar-se...
Talvez seja mais tolerante...

Quem sabe?

[19-03-2016]

terça-feira, 29 de março de 2016

21º Dépaysé (1)

Quando finalmente começamos a sentir ou a experienciar o dépaysement.


Sem horas, a não ser as dadas pelo Sol ou pela fome.
Sem nomes, sem direções, sem destino...
Sem saber onde estou, sem elementos de referência...
Apenas a orientação das portas das yourtes e a estrada me orientam. Nada mais.
Mas sinceramente, a definição não me faz falta.
Não sei para onde irei, com quem estarei.
Poderia ser angustiante esta indefinição, no entanto é tão libertadora.
Não existem amarras, nenhumas para já.
Já não sei quem sou.

[30-12-2015]