" Depois de vagabundear incerto algum tempo por outros países, esqueço-me de quem sou, quase (...) O meio que nos envolve é também um pouco de nós, seguramente." (Mário de Sá-Carneiro; A Grande Sombra)
quinta-feira, 30 de junho de 2022
Último
Imagem retirada da Internet.
Fonte:
https://en.wikipedia.org/wiki/Ninh_B%C3%ACnh#/media/File:Citadel_of_Ninh_Binh.jpg
sexta-feira, 10 de junho de 2022
Adivinha - 10 de Junho
Dia de Portugal
"Há nações que nascem feitas e nações que se fazem.
Portugal é das que se fizeram, contra todos e contra tudo, e nunca teve
sossego nas fronteiras, que chegaram a situar-se nos cinco continentes.
Começou o seu caminho independente nas brumas da pré-história,
dolménico, litoral, magro, debruado por um mar aberto e convidativo, que
navegou desde logo em todas as direcções e transformou mais tarde no palco
de uma das maiores façanhas de que a civilização ocidental se pode orgulhar.
Microcosmo variegado, ora montanhoso, ora ondulado e plano, de cada
miradoiro é inédito e diverso.
Árido aqui, verdejante ali, terroso acolá, passeá-lo é conhecer em miniatura as feições aráveis da Terra.
Sulcado por rios líricos ou dramáticos, consoante o leito, espelha-se neles ao natural o perfil da paisagem.
Um Minho bucólico, uma Estremadura monumental, um Ribatejo toureiro. Invadido sucessivamente por muitos povos, a nenhum se submeteu inteiramente.
Antes pelo contrário, resistiu-lhes a conviver.
Na essência, permaneceu o mesmo, dono e senhor da sua personalidade profunda, livre, visionário,
aventureiro, obstinado.
E sempre cordial.
Quem percorre o país de norte a sul pode queixar-se de tudo, menos dos panoramas e, ainda menos, das gentes.
Austeras em Trás-os-Montes, sóbrias nas Beiras, graves no Alentejo, reservadas no Algarve, identifica-as, no entanto, a mesma índole solícita, prestante, disponível.
Criaturas simples, chegadas ao húmus, tudo nelas tem ainda o sabor saudável do autêntico e primordial.
Na maneira como trabalham, cantam, dançam, rememoram, o observador atento pode descobrir
os sinais vivazes de uma sã tradição rural, comunitária, o vizinho a dar a mão ao vizinho, o velho
a ensinar o novo, o prudente a avisar os incautos.
Marginal à Europa, nem sempre a acompanhou nas suas proezas técnicas e antropotécnicas.
E, nesse capítulo, à primeira vista, pode parecer retrógrado.
Mas essa falsa inércia, esse ilusório sono letárgico, é apenas a paz de boa consciência de
quem conhece o preço de certas cedências ao progresso.
De quem lhe pressente a efemeridade.
No decorrer dos séculos, este povo pacífico, que sempre se soube defender e nunca soube agredir,
aparentemente parado no tempo, foi a própria encarnação do espírito renovador, na tolerância, na
curiosidade, na inventiva.
O primeiro a abolir a pena de morte, a dar a independência a uma das suas maiores colónias,
a dobrar os muitos cabos das Tormentas.
Original na maneira de ser, de sentir e de pensar, a cultura universal deve-lhe um modo específico
de encarar a vida e os valores.
Nos seus Cancioneiros, no seu rifoneiro, no seu artesanato, está documentada uma singularidade
temperamental e intelectual que faz a admiração de quem a conhece.
Todos os viajantes de boa-fé que nos visitaram no passado e nos visitam no presente a testemunham e enaltecem.
Fundadora de novas pátrias, esta pequena pátria, que com os descobrimentos marítimos realizou a
maior epopeia dos tempos modernos, arredondando definitivamente o globo nas mentes coevas,
ainda hoje ajuda a povoar e a unir o orbe, num fluxo emigratório constante.
E é essa vocação planetária, essa inquietação dispersiva que faz do português um peregrino das sete partidas, um cidadão do mundo.
Despido de pruridos raciais, uma vez em terra alheia, miscigena-se, adapta-se, integra-se, mas sem perder nunca os traços nativos. E quando a saudade — um sentimento sem tradução afectiva e vocabular — o crucifica, regressa e retoma, na aldeia de onde saiu, o seu lugar de membro da junta de freguesia ou de mordomo da festa.
Claramente que, ao lado deste Portugal telúrico e arcaico, ainda não desfigurado na alma, escudado na sua castidade moral, existe um outro, contemporâneo do presente, cosmopolita e cultivado, que tem pergaminhos nas artes, nas letras, nas ciências, na política e na religião.
Que erigiu Alcobaça e os Jerónimos, que escreveu Os Lusíadas, que pintou os Painéis de S. Vicente, que comentou Aristóteles e deu à Igreja um Papa e um Doutor.
Mas o Portugal letrado, por muito que tenha feito, não pode, nem de longe, nem de perto, comparar-se ao iletrado, pela tenacidade, pela honradez, pela audácia, pela graça espontânea e pela nobreza de sentimentos.
E que o Portugal eterno, o que nunca traiu, o que dá esperança, é o das revoluções populares, o que trabalha dia e noite sem esmorecer, o que acaba sempre por ter a última palavra nos acontecimentos, o do arado e do remo.
E ele que, anónimo e humilde, não cabe nas crónicas, mas avaliza alguns dos mais significativos passos da história da humanidade."
Miguel Torga, in 'Diário (1988)'
quarta-feira, 8 de junho de 2022
Urbe
Imagem retirada da Internet.
Fonte:
https://www.instagram.com/p/CY0ZEkUI_XL/
quinta-feira, 2 de junho de 2022
Impressões
quarta-feira, 1 de junho de 2022
Indiferença
"A Esquerda Deixou de Ser Esquerda
A direita nunca deixou de ser direita,
mas a esquerda deixou de ser esquerda.
A explicação pode parecer simplista, mas é a única
que contempla todos os aspectos da questão.
Para serem participantes mais ou menos tolerados
nos jogos do poder, os partidos de esquerda
correram todos para o centro, onde, infalivelmente,
se encontraram com uma direita política e económica
já instalada que não tinha necessidade de se
camuflar de centro.
Entrou-se, então, na farsa carnavalesca de
denominações caricaturais com as de
centro-esquerda ou centro-direita.
Assim está Portugal, a Itália, a Europa."
José Saramago, texto retirado de "La Republica, 2007"
FOTOGRAFIA DE MD TANVEER HASSAN ROHAN, NATIONAL GEOGRAPHIC YOUR SHOT
terça-feira, 31 de maio de 2022
Último
"Os irmãos Wright fizeram o primeiro voo motorizado neste dia em 1903. Orville comanda o avião, deitado de bruços para reduzir a resistência ao vento, enquanto Wilbur corre ao lado. O voo durou 12 segundos e andou cerca de 36 metros."
Imagem retirada da Internet.
Fonte:
FOTOGRAFIA DE ORVILLE WRIGHT, NAT GEO IMAGE COLLECTION
https://www.natgeo.pt/fotografia-do-dia?image=pod-17-12-2020_nationalgeographic_996248
domingo, 8 de maio de 2022
Urbe
O urbanismo que compõe parte da cidade do Cairo, num registo de 2008.
Imagem retirada da Internet.
Fonte:
https://www.instagram.com/p/CYstVppoNaE/
Fotografia de Simon Vahala
quinta-feira, 5 de maio de 2022
Vidas
"Um trabalhador pinta a ponte Golden Gate com uma nova camada da sua icónica cor laranja em São Francisco. A cor foi escolhida para ajudar a ponte a ficar visível no famoso nevoeiro da cidade."
Imagem retirada da Internet.
https://www.natgeo.pt/fotografia-do-dia/2020/maio?image=pod-20-05-2020-nationalgeographic_613173
FOTOGRAFIA DE DAVID BOYER, NAT GEO IMAGE COLLECTION
segunda-feira, 2 de maio de 2022
Impressões
Algures em Nouakchott, na Mauritânia.
Imagem retirada da Internet.
Fonte:
https://www.instagram.com/p/CWy5UrSMTzv/
domingo, 1 de maio de 2022
1º de Maio
"Admiramo-nos de ver ladrões jactando-se da sua habilidade, prostitutas da sua corrupção e assassinos da sua insensibilidade. Se, porém, nos admiramos, é porque estas espécies de indivíduos são restritas, e porque se movem em círculos e em atmosferas que não têm contacto com os nossos. Já não nos surpreende, por exemplo, ver homens ricos orgulharem-se da sua riqueza; — isto é, de roubo ou de usurpação — ou ainda ver os poderosos orgulharem-se do seu poder, o que significa violência e crueldade. Não notamos a maneira como a concepção natural da vida é desvirtuada por esta gente, assim como o é a primitiva significação de bem e de mal, e não só o não notamos, como não nos admiramos. E isto unicamente porque o número daqueles que partilham essa perversa concepção é grande, e porque nos achamos compreendidos nesse número."
FOTOGRAFIA DE DEAN CONGER, NAT GEO IMAGE COLLECTION
Indiferença
Indiferentes à força e à riqueza dos oceanos.
Indiferentes às populações mais desfavorecidas.
O oceano revoltado pela presença humana, pela sua indiferença ao meio ambiente ao qual pertence.
The decaying landscape of Atafona unveils the crises between humans and nature. Its dunes conceal about 400 buildings, among them houses, hotels, a gas station, and a church.
sábado, 30 de abril de 2022
Último Dia
"There is a very large Nandi (bull), mount of Shiva, about 200 metres (660 ft) away from the temple which is carved from a single block of stone, which is said to be one of the largest of its type in the world."
Fonte:
https://www.pinterest.pt/pin/609674868280587627/
segunda-feira, 25 de abril de 2022
25 de Abril
domingo, 17 de abril de 2022
Sol
"Que belo é ter um amigo! Ontem eram ideias contra ideias. Hoje é este fraterno abraço a afirmar que acima das ideias estão os homens. Um sol tépido a iluminar a paisagem de paz onde esse abraço se deu, forte e repousante. Que belo e que natural é ter um amigo!"
domingo, 10 de abril de 2022
África do Sul
Algures na África do Sul, um exemplo de arquitetura vernácula que nos conta sobre várias tradições e práticas locais.
Imagem retirada da Internet.
Fonte:
https://www.pinterest.pt/pin/11822017761272496/
sexta-feira, 8 de abril de 2022
Urbe
Imagem retirada da Internet.
Fonte:
https://www.instagram.com/p/CaGhzevKRyQ/
quinta-feira, 7 de abril de 2022
Adormecer do Sol
"Não importa ao tempo o minuto que passa, mas o minuto que vem.“
Machado de Assis

