quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

四 Vale de Shokawa (Resolutione)

Vale de Shokawa [queria pôr aqui o nome em kanji, mas está difícil]

川 - rio
谷 - vale
Existem mais dois que não achei.
庄 - o tempo que demorei à procura deste kanji, exasperante, mas tudo se encontra! Claro que tem vários significados, sendo assim vou me conter e não farei mais nenhuma suposição.
Fica a faltar um. Alguma alma caridosa?
Resumindo, o nome do vale pertence ao rio que nele percorre serenamente pelas montanhas japonesas, criando cenários inesquecíveis.

Algumas fotografias do rio:


E um mapa com a localização das duas regiões abordadas nesta publicação [tenho a dizer que esta publicação é particularmente extensa].







1 - Shirakawa-go (白川郷)
Interpretando os caracteres que compõem o nome
 白- branco
川 - rio
郷 - distrito




Ogimachi (荻町)
荻 o radical que em cima o caracter significa que se trata de uma planta, pesquisando no google descobri que se trata da Miscanthus sacchariflorus, conheço-as por "plumas", fica aqui uma imagem.
町- cidade, aldeia, vila (também já apareceu por aqui)
Património da Humanidade desde 1995, Ogimachi é a maior aldeia do distrito de Shirakawa-go.




Mais algumas fotografias acompanhando o ciclo das estações do ano e as transformações nos campos de arroz [田] e da vegetação que cobre as montanhas.









Curioso que quase todas as fotografias foram tiradas de um mesmo ponte de vista, reparaste?

E agora a imagem que me levou a criar esta publicação, guardada na pasta que serviria para mais Resolutione tema do final do ano passado. [Por acaso, lembrei-me agora, não é totalmente verdade, esta publicação surgiu enquanto pesquisava sobre o japão e possíveis associações a números, assim descobri esta região e agora ao escrever e ao organizar as imagens lembrei-me que já tinha uma imagem guardada na tal pasta. A nossa mente por vezes confunde-se quanto à linha do tempo e recria momentos inexistentes (sim, não é possível recriar momentos que não existiram...).] Mais uma série de parêntesis para as indispensáveis divagações.































Provavelmente esta fotografia terá sido tirada no inicio da primavera, quando surgem os primeiros narcisos. Ou talvez não...

Esta região é famosa pela suas habitações tradicionais, com uma estrutura que reconhecemos em alguns lugares da Europa (incluindo Portugal). As características morfológicas, climáticas, regionais  influenciam a arquitectura vernacular [talvez desenvolva a este tema à posteriori].
E como já disse há uns tempos o Homem é o mesmo.

Não podia faltar uma planta que representa a aldeia Ogimachi (荻町), com a área protegida circunscrita no território, do site da Unesco.

As coberturas destas casas apelidadas de Gassho-zukuri têm uma inclinação de cerca de 60º feitos com as ervas das pampas - que dão o nome à aldeia Ogimachi (荻町). [Na lingua japonesa tudo parece ter uma lógica ou uma história associada às toponímias.]
Mais uma curiosidade, em Shirakawa-go as habitações seguem todas uma mesma orientação, norte-sul, tendo sempre aberturas nesses alçados de forma a facilitar a ventilação do interior.
Por norma quase tudo tem uma explicação, este pensamento serve para várias áreas.

Para aceder à aldeia é necessário atravessar esta ponte suspensa Deai-bashi...

Quando reparei no número de pessoas a atravessarem a ponte cheia de neve...


2- Gokayama (五箇山) é outra região onde as habitações da população foram construídas segundo o "estilo" Gassho-zukuri.


Gostei particularmente desta fotografia, com as árvores já despidas de folhas, apenas com dióspiros, dando cor à natureza que se reveste de mantos de neve.
Subindo o rio encontramos a região Gokawama (五箇山), onde se pode visitar mais duas aldeias com estas habitações tradicionais.
五 - cinco;
箇 - este desconheço, mas ainda não desisti de procurar;
山 - montanha.

2.1 - Ainokura (相倉)
倉- Entre várias definições possíveis este caracter significa também celeiro (será que é esta que está na origem deste nome?).









A aldeia Ainokura (相倉) localizada na região Gokayama, pela sua situação geográfica é a menos visitado pelos turistas, devido a estas condições a comunidade mantém ainda vivas  tradições e rituais típicos da região.
Nesta aldeia existem 20 (二十) habitações Gassho-zukuri.
Fica aqui um link com as informações das habitações abertas ao público: http://www.japan-guide.com/e/e5954.html



 E um levantamento da aldeia e dos edifícios que a compõem:








2.2 - Suganuma (菅沼)

Esta aldeia com apenas 9 habitações nesta pequena aldeia, mas pelo enquadramento no território, merece sem dúvida uma visita.






Próxima a estas vilas podemos visitar Takayama.
Acabei por separar e destinar apenas um post para esta vila, porque já estava a ficar muito extenso.
Fica aqui o link: http://entrepreambulos.blogspot.com/2016/01/takayama.html



Uma rápida conclusão:
Tantas fotografias deste lugar coberto de neve, deram-me uma vontade imensa de visitar esta região nos meses de Janeiro/Fevereiro, quando a neve pode atingir cerca de 2 metros de altura. Mais uma estação do ano que deve ser fascinante neste país.
Quem sabe fazer um retiro nesta região, assistindo ao Inverno e ao nascimento da primavera.


Esta publicação ficou enorme, mas não resisti.

Deixo aqui um link para o tema Resolutione para explicar a sua origem:
http://entrepreambulos.blogspot.com/2015/12/resolutione-16.html

Alguns sites que descobri ao pesquisar o sobre esta região, não deixes de os visitar.

O rio shokawa que me atormentou, fica o link francês porque parece mais interessante:
https://fr.wikipedia.org/wiki/Sh%C5%8D-gawa_(Gifu)

O site de um fotografo com fotografias fantásticas da região:
https://kenandagnesphotoworks.wordpress.com/2014/01/05/snow-white-shirakawa-go/

Deixo aqui relato de uma visita a este vale:
http://bichinhodasviagens.blogspot.pt/2013/05/shirakawa-go-uma-vila-japonesa.html
Mais um:
http://www.centrair.jp/en/japantravel/reports/gifu/shirakawa-go_light-up.html
Outro:
http://jubileeleeonset.blogspot.pt/2015/03/travel-back-in-time-at-shirakawa-go.html

Um site com algumas propostas para visitar Takayama -  高山市 -
http://www.hida.jp/english/activities/sightseeing-information/model-itinerary

UNESCO: http://whc.unesco.org/en/list/734/

E o link do site com as mais detalhadas informações de uma ryokan Gassho-zukuri (pousada tradicional):
https://www.japaneseguesthouses.com/ryokan-single/?ryokan=Kanja

Várias fotografias da região com neve:
http://backcountry.cocolog-nifty.com/photos/gassho/aikura07.html

Gokayama - site local:
http://www.gokayama-info.jp/en/gokayama.html

Suganuma:
http://www.japan-guide.com/e/e5954.html

Todas as imagens foram retiradas da Internet, algumas foram "levemente" editadas.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

三 Nikkō 日光 (2)

Lake Chuzenji (中禅寺湖 - Chūzenjiko)

Próximo a Nikko existe um lago, que no outono fica particularmente convidativo. Deixo aqui algumas fotografias (retiradas da internet, infelizmente não o visitei).
Este lago foi criado há 20 000 após a erupção do vulcão sagrado de Nikkō.
Interessante como a cultura japonesa considera tantos elementos da natureza sagrados e efetivamente os protegem.
Cria-se uma relação de mútuo respeito, do Homem com o meio que o envolve e que o acolhe. Afinal o Homem também pertence à natureza, apenas o esquece muitas vezes.
Imagina viveres numa grande metrópole como Tóquio e no fim de semana poderes visitar este lugar que fica a uma distancia de poucas horas, para um retiro.
Um sitio para apenas apreciar, contemplar, observar, saborear, pensar, sentir, agradecer...











A cascata Ryuzu (竜頭ノ滝, Ryūzu no Taki) cujo seu nome significa cabeça de dragão, precipita-se sobre o lago Chuzenji.
O rio Yukawa antes de se tornar na cascata.

E o sereno lago, com esta peninsula multicolor espelhando as cores do outono.

Existem alguns percursos que acompanham o trajeto do rio num território pantanoso apelidado de Senjogahara  (戦場ヶ原, Senjōgahara).




Os habituais links:

Senjogahara  (戦場ヶ原, Senjōgahara).
http://level03.exblog.jp/16765772

http://www.japan-guide.com/e/e3811.html

P.S. A melhor altura para visitar esta região é no mês de Outubro (十月). 
 
Todas as imagens foram retiradas da internet.

三 Nikkō 日光

日- sol;
光 - luz

A uma curta viagem de comboio de Tóquio temos a cidade Nikkō para visitar; mais um refúgio à grande metrópole.
A chegada a Nikko é anunciada pela estação de comboio desenhada por Frank Lloyd Wright [empre que escrevo "ght" lembro-me invariavelmente da mnemónica francesa "j'ai acheté" - as letras lidas com pronuncia francesa].


Para acedermos ao santuário Toshogu é necessário percorrer uma avenida ladeada por enormes cedros (cerca de 13000) plantados no século XVII, constituindo um oferenda algo invulgar, mas fantástica, ao santuário de Matsudaira Masatsuna.

日光杉並木 (suginami-ki)
杉 - cedro;
並木 - "fila" de árvores;
木- ki- árvore.































O santuário Toshogu (東照宮, Tōshōgū) foi construído a mando de Tokugawa Iemitsu durante o século XVII no lugar do mausoléu do seu avô, prestando-lhe assim homenagem.




















Estas são algumas fotos tiradas no Santuário, há alguns anos atrás. Lembro-me que na altura estava em obras, pelos vistos vão continuar até 2019. Assim sendo, esta resulutione será para uma data posterior.

Para finalizar deixo uma fotografia do pagode do santuário de Toshogu no Inverno.
Situado na entrada do santuário, este pagode foi uma doação que um senhor feudal fez em 1650, sendo reconstruído em 1818 (após um incêndio - algo recorrente no Japão).

Voltarei a falar de Nikko.
Alguns extras:

三 [さん - san] E não é que o número três tem a mesma leitura na lingua japonesa e chinesa.

Alguns links:
http://lovelyninima.pixnet.net/blog/post/271463768  (em japonês - mas vale a pena pelas fotografias)

http://www.japan-guide.com/e/e3800.html

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

二 Santuário Fushimi Inari [伏見稲荷大社]

O Santuário Xintoísta

Sobre o Xintoismo
"Shinto gods" are called kami. They are sacred spirits which take the form of things and concepts important to life, such as wind, rain, mountains, trees, rivers and fertility. Humans become kami after they die and are revered by their families as ancestral kami. The kami of extraordinary people are even enshrined at some shrines. The Sun Goddess Amaterasu is considered Shinto's most important kami."

Este santuário, dedicado ao deus xintoísta do arroz, Fushimi Inari localiza-se no sul da cidade de Quioto.
No meio da natureza surgem caminhos formados pelos toriis  escarlate que contornam subindo e descendo o monte sagrado Inari.
Estes toriis  representam doações feitas ao santuário, tornando este lugar único, pela espiritualidade que transmite.
E assim vamos percorrendo o monte, descobrindo pequenos recantos, ouvindo a natureza e os animais que se escondem nas folhagens das grandes árvores que tornam o ar da cidade mais puro, mais fresco. Não se sente tanto a humidade e os sons da cidade são abafados.
Quase que nos esquecemos de onde estamos, escolhemos o caminho aleatoriamente, conduzidos pela sucessão de toriis.
Os pensamentos surgem mais claros, a mente acalma. Imagina viver numa cidade rodeada por montes cobertos por florestas antigas e pequenas trilhas que revelam a sua essência.
Mais um lugar que nunca esquecerei.

Torii - Algumas definições ou conceitos.

O Pórtico, segundo Francis D. K. Ching, "Alpendre ou passeio providos de uma cobertura apoiada por colunas, frequentemente conduzindo à entrada de um edifício."

Torii, segundo a religião xintoísta é um limite entre o mundo humano e o mundo espiritual.

Fica aqui uma legenda ou mitologia ou crença:
"One of the theories about the origin of the torii is as follows. When the Goddess Amaterasu hid herself in the heavenly cave (ama no iwato), the world was shrouded in darkness. The other spirits arranged for the "eternal long crowing birds" (cockerels) to roost and crow, and then Amaterasu came out of the cave and the world regained the light.
Since then people made roosts for cockers in front of shrines and that may have been the origin of the torii."








Mais algumas dicas e informações:
http://www.japan-guide.com/e/e2056.html
http://www.japan-guide.com/e/e3915.html

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

一 Santuário Itsukushima [厳島神社]

O pórtico que anuncia a chegada a este santuário sempre preencheu o meu imaginário sobre o Japão; sendo que já aqui apareceu, no último dia do ano (passado) http://entrepreambulos.blogspot.com/2015/12/ano-novo.html, por este motivo escolhi-o como o primeiro sítio a apresentar neste mês.

O santuário Itsukushima situa-se na ilha de 宮島 - Miyajima considerada sagrada, aqui ninguém nasce ou morre ou nasceu e morreu (supostamente), não existem cemitérios ou maternidades.

Mais alguns caracteres:
宮 - Palácio; santuário de ; etc.
島 - Ilha.
鳥居  - Tori







Para introduzir  o santuário xintoísta Itsukushima apresento uns esquemas do complexo erigido. (Francis D. K. Ching)


A visita fez-se num dia chuvoso, tornando o lugar ainda mais enigmático.
O monte Misen - 弥山(みせん) - que se esconde no véu formado pelo nevoeiro é revestido por florestas - 森 - densas compondo o parque Momijidani (紅葉谷公園).

Pena a água que banha as margens não ser mais cristalina, talvez em tempos o tivesse sido.































O pórtico e o pontão/palco
Enquanto pesquisava sem sucesso sobre o palco que se estende sobre o mar apelidado de Hirabutai, apareceu-me o seguinte link, bem engraçado! [fica aqui, para quem precisar de ideias: http://mail.japan-shop.com/forum/quereadisplay.html?0+63762 - qual terá sido a escolhida?]
Segundo a informação pesquisada este palco terá cerca de 500 metros de cumprimento, como um pontão que surge sobre o mar para receber as visitas que atravessem o pórtico escarlate que flutua no mar.

No interior
Apesar de o actual complexo ter sido construído em 157, respeitando o estilo arquitetónico Heian, consta que talvez existisse aqui uma estrutura religiosa no ano 593 d.C.

Sori-bashi, 1557 (actual).
Uma ponte de madeira tradicional com um arco que desafia as forças estruturais (?), a necessitar de uma reabilitação (?).


Palco Nob ou Noh um dos poucos construídos no Japão, com a particularidade de estar sobre o mar. 
 
De tarde com a maré baixa, ganha um novo encanto.
A sua cor recorrente em vários edifícios e elementos religiosos do Japão tem como finalidade espantar os maus espíritos, neste caso ajuda também a proteger contra a erosão natural da sua estrutura.
"Otorii is 16 meters high and weighs about 60 tons. Its two big pillars were made using natural camphor trees between 500 and 600 years old." 
 
Por fim, deixo com um site que apresenta uma informação mais completa sobre esta ilha e os pontos de interesse:
 
Para mais pormenores sobre os diferentes elementos que compõem este complexo, fica aqui mais um link:

一 [いち]

"Sê todo em cada coisa.
Põe quantos és
No mínimo que fazes."
Fernando Pessoa.

Associo estes versos quase inevitavelmente e talvez exclusivamente ao povo japonês.
Eles realmente perseguem esta forma de pensar, de agir no seu quotidiano, fazendo a coisa mais banal, com a maior dedicação que conseguem.

O Japão inspira-nos a tentarmos ser uma melhor versão de nós mesmos. Aos olhos das outras culturas [pelo menos de alguns visitantes] este país parece um modelo quase utópico no que diz respeito à organização de alguns elementos que contribuem para a construção e a prosperidade de uma sociedade. Uma viagem ao Japão representa também um ensinamento que cada visitante leva consigo, para o resto da sua vida. Ao escrever isto noto que preciso de me esforçar mais e sempre.

Neste novo mês apresento mais dez caracteres, que representam os números e algumas referências aparentemente aleatórias, porque o pensamento divaga sempre. Assim dou continuidade a uma temática que foi sendo desenvolvida ao longo do mês de janeiro, porque o primeiro dia do segundo mês deste novo ano coincide com o primeiro dia da semana laboral, que por acaso se chama segunda [-feira]. A cada dia, a cada número vou sugerir um sitio que visitei e que considero importante destacar, ou um sitio que ainda desconheço com alguma referência numérica.
Por isso desconfia sempre das coincidências, por norma não são fruto do acaso circunstancial...

É verdade, e a liberdade que sentimos para podermos ser quem quisermos, sem o olhar inquisidor daqueles que se cruzam nas nossas vidas. [Atenção, que nada é tão linear quanto parece... porque nunca devemos generalizar.]

Número 1: 一 [いち]